Adoecimento e solidão: sintomas invisíveis – nem sempre é fácil pedir ajuda quando se está passando por problemas físicos e emocionais

Identificar transtornos alimentares (TAs) nem sempre é tão simples como muitos supõem. Especialmente em uma sociedade que endossa a ditadura da magreza. O emagrecimento, mesmo que brusco, muitas vezes é visto como positivo, digno de ser parabenizado, enquanto o ganho de peso, mesmo que seja pouco, é apontado como desleixo ou como sinal de que a pessoa “não está bem”. Diante deste cenário, se ignora que os TAs são complexos e que muitos dos sintomas são silenciosos, levando ao isolamento emocional e, em muitos casos, até literal da pessoa adoecida.

Pessoas com transtornos alimentares convivem com sentimentos de culpa por conta de sua relação com a comida e costumam buscar esconder seus hábitos alimentares para serem socialmente aceitos. Os hábitos compensatórios ou punitivos normalmente são feitos em momentos de solidão – prática que pode se intensificar e atingir outras áreas da vida, solidificando a ideia de inadequação e, portanto, dificultando o pedido ou a aceitação de ajuda.

Um passo importante para ajudar – e ser ajudado – é tirar o aspecto de culpa envolvendo os transtornos alimentares. O adoecimento é complexo e não tem “um” motivo. Costumam ser vários, de natureza emocional, social, cultural. Enfim, são muitas as causas que levam ao desenvolvimento dos TAs e o tratamento envolve justamente um olhar cuidadoso para o caráter multifatorial da doença.

Assim, caso você perceba alguém que esteja passando por algum problema, tente abordar de uma maneira respeitosa, sem ser invasivo. É possível expressar preocupação sem que isso venha acompanhado de frases ou comportamentos que culpabilizam e punem. A pessoa que está vivendo com o TA já passa por muitos sofrimentos e sentimentos conflitantes - e não cabe a quem está de fora reforçá-los.

Cuidado, acolhimento e falas honestas, de reconhecimento do problema, mas sem julgamentos, são ferramentas importantes no processo. É importante que a pessoa saiba que não está sozinha, que ela não é a doença e que existe abertura para o diálogo, no tempo e nos termos dela.