Sobre estabelecer limites e dizer não: Entender as necessidades do corpo e fatores emocionais é um passo importante de autoconhecimento

Dizer não pode parecer simples, mas, em muitos casos, e para muita gente, não é. E, em algumas situações, isso pode parecer ainda mais complicado, pois existem convenções sociais que podem considerar “falta de educação” ou “grosseria” o fato de negar algo – entre elas a comida.

Pensemos em algumas situações: você está em um almoço de família e um parente sugere que você se sirva de mais comida, mesmo estando satisfeito. Você recusa, mas a pessoa insiste: “Só mais uma colherada não faz mal” ou “Mas você nem provou isto, não vá fazer desfeita comigo”. É um tipo de abordagem que, normalmente, vem cercada de afeto, mas, que pode ser opressora, pois deixa a pessoa constrangida de recusar, mesmo que ela não queira comer, seja lá por qual razão.

Muitos são os fatores que podem fazer alguém insistir para que o outro coma, chegando ao ponto do constrangimento e, muitas vezes, do ato de comer forçadamente para encerrar a situação. E, quase sempre, não tem a ver com a gente, mas com a própria pessoa: o desejo de ser um bom anfitrião, a insegurança de que o outro não tenha gostado da comida, a vontade de ver quem a gente gosta alimentado, entre outros. O que precisamos entender, no entanto, é que o não precisa ser respeitado e não diz respeito a nós. É uma decisão individual que precisa ser acolhida e entendida.

O não pode ser, também, um ato de (auto)cuidado e de preservação das relações. Quando estabelecemos limites estamos deixando claro os lugares que nos deixam confortáveis, assim como o que nos incomoda. Com isso, o outro tem a oportunidade, também, de nos conhecer e de reconhecer nossa autonomia. E é um processo mútuo: precisamos, também, ouvir e respeitar as decisões do outro.