Os afetos que a comida evoca
Comida como uma linguagem de afeto. Essa perspectiva tem sido cada vez menos valorizada, em prol de uma visão que associa a alimentação apenas à busca de um determinado tipo de corpo. Mas, a comida é um dos primeiros vínculos de nós, humanos, com o mundo, com nossa família e com a sociedade. E ela nos atravessa durante toda a vida, não só como fonte de sobrevivência, mas como um marcador cultural, como mobilizador de emoções e de construção de memórias.
É uma comida feita por alguém que amamos; é preparar algo para quem amamos ou para nós mesmos. É saborear um prato pela primeira vez, sentir o aroma que remete a uma comida típica, a um lugar, a uma pessoa, a um tempo; a quem éramos, quem somos e quem podemos ser. Uma comida pode nos fazer lembrar de alguém especial, que talvez já tenha partido. Pode ser o elo que une, o que aplaca as saudades, mesmo quando estamos longe.
A comida é, também, uma forma de perpetuação. De tradições familiares, de culturas. Pode ser uma porta para conhecermos outras formas de experienciar o mundo. Os sabores podem ativar nossos sentidos, nos ajudar a entender a vida de outra forma. Pode parecer exagero, mas não é. A comida é uma ferramenta poderosa de construção de sentidos.
Uma pesquisa conduzida nos Estados Unidos, com dois mil adultos, mostrou que 64% consideram a comida como sua linguagem do amor. E um número maior ainda, 67%, afirmou que dividir a comida é uma forma de mostrar cuidado, preocupação e carinho. E que existe uma grande alegria em apresentar sabores que os fazem feliz para pessoas com quem se importam. Percebe a força dos vínculos e como eles podem ser traduzidos através da comida?
Por isso, precisamos nos reconectar com a comida e com a nossa fome. E o que isso quer dizer? Que precisamos ouvir mais o nosso corpo, entender nossas necessidades, nossos desejos. Entender que não é benéfico transformar alimentos em inimigos. Que o prazer também faz parte. Que a nossa relação com a alimentação é única e construída diariamente – podendo sempre se transformar. Sem amarras e sem pressão.
Informações a partir da matéria do New York Post, de 2023, baseada na pesquisa conduzida pela OnePoll.