O que é um corpo de verão?

O ano se iniciou e, com ele, um novo ciclo. Para muita gente, é um momento de colocar em prática desejos antigos e, entre os principais deles, está o cuidado com a saúde. No entanto, no contexto em que vivemos, em que saúde é confundida apenas com a questão estética (e, no caso dos padrões atuais, com a magreza), é comum vermos discursos que podem causar danos ao físico e ao emocional. É o caso do "corpo do verão".

Passamos meses lendo nas redes sociais dicas de como "secar" para ter o "corpo do verão". Ou sobre como precisamos mudar os hábitos para emagrecer para "estar bem" no Carnaval. Mas, afinal, o que é um "corpo de verão"? É um corpo magro, musculoso? Porque existe "um" corpo, se somos tão diferentes? É um paradoxo que defendamos a diversidade de pensamento, de opinião, mas não consigamos aceitar que os corpos também são plurais.

Em nome de um padrão físico, muitas pessoas colocam suas saúdes físicas e mentais em risco, praticando ações perigosas, como seguir dietas que prometem emagrecimento rápido, independente das consequências. É uma visão que distorce cada vez mais a relação com a comida, como se a contagem de calorias resumisse tudo. Tira da equação o prazer, as memórias, a cultura. E também passa a mensagem de que só alguns corpos merecem ser felizes e aproveitar o verão (aqui, também, como uma metáfora da vida).

Estabelecer uma boa relação com o nosso corpo e a nossa aparência é resultado de esforços diários, que parte da desconstrução dos padrões de beleza. Nem sempre teremos dias bons, emocionalmente estáveis, como no verão, que nem sempre tem sol. Mas, nossas preocupações no verão, e para além dele, deveriam ser nos divertir, nos hidratar (sem esquecer o protetor solar!) e vivenciar momentos bons com quem amamos.