Nossos corpos têm memória

Nosso corpo é formado por memórias. Boas, ruins, práticas, afetivas. E isto vai além de questões biológicas. Muito da nossa relação com as pessoas, o mundo e seus elementos, está permeada desse empirismo que está impregnado na nossa pele, mas também abaixo dela. Um conjunto de lembranças, muitas das quais nós nem “lembramos”, que nos constituem e fazem com que vejamos e sintamos as coisas do nosso jeito particular.

A forma como eu, você e cada pessoa sente é diferente. Tentamos, através da linguagem, dar conta dessa complexidade, descrevê-la, mas o fato é que as emoções nos atravessam de forma única. E nosso corpo é um catalisador dessas vivências. Costumamos atribuir ao cérebro toda a capacidade reter e processar as memórias, mas, esse processo é muito mais complexo, como mostram estudos recentes, como o da NYU (Universidade de Nova York).

Segundo o estudo, “a capacidade de aprender através da repetição espaçada não é exclusiva das células cerebrais, mas, na verdade, pode ser uma propriedade fundamental de todas as células”. E por que esse tipo de descoberta é importante? Porque nos faz ver nosso corpo de forma holística, sem separar razão, emoção e sem dividi-lo em “partes”, hierarquizando o que é “mais importante” (cérebro, conhecimento, produtividade) do que seria mais “trivial” (nossos hábitos, sentimentos, sonhos, medos etc).

Quando passamos a entender que nosso corpo também contém memória, podemos olhar para nossas questões de forma mais ampla, acolhendo sensações que, muitas vezes, nem conseguimos racionalizar.

Nossos hábitos e como encaramos os mais variados elementos da nossa vida – trabalho, afetos, compromissos, comida, diversão, entre outros – vão formando quem nós somos. E isso não é e nem precisa ser enrijecido. Podemos mudar. Sempre. E que bom. Construir novas memórias, novas relações conosco, com nosso corpo e com o mundo.