Natal, felicidades e ausências

Natal, Ano Novo, aniversários... Datas comemorativas, como o nome mesmo diz, foram pensadas para celebrar, para lembrar, para marcar acontecimentos, ritos. O fim de ano, com duas festas tão próximas, costuma ser retratado como um momento de alegria, confraternização e agradecimento. E é. Mas não só isso. Para muita gente, são momentos difíceis, por várias razões, incluindo lutos, ausências e a cobrança por uma felicidade compulsória.

Compulsória porque não leva em consideração que a felicidade não é uma linha reta, imutável. Temos dias bons e ruins. E dias que têm tudo ao mesmo tempo. Somos feitos de emoções variadas, mudamos a todo instante e podemos e devemos nos permitir sentir tudo, sem a obrigação de cumprir com as expectativas dos outros sobre nós e nossos sentimentos. Para muita gente, o Natal, quando as famílias costumam se reunir, pode ser cheio de gatilhos, com perguntas desagradáveis, comentários pouco pertinentes, uma pressão sobre a comida (“Coma mais”, “Está comendo muito”, “Nossa, você engordou, hein?!”, “E as namoradinhas?”, “E o emprego?”), entre outros.

A felicidade é uma construção diária e ela não é oposta à tristeza. Elas podem andar juntas. A gente pode estar feliz de estar celebrando mais um ano ao lado de quem ama e, ao mesmo tempo, estar triste porque alguém muito importante para nós não está mais conosco.

Podemos estar tristes e, em um lampejo, ver algo que nos desperte alegria. Essa complexidade não pode ser menosprezada. Precisamos respeitar nossos limites, perceber até onde podemos ir, nos retirar de situações que não nos façam bem naquele momento. Felicidade é saber, também, que podemos não estar bem o tempo todo.

Desejo que neste Natal você se conecte com suas emoções. Caso possa celebrar com quem ama, faça isso. Se preferir ficar quietinho, mais introspectivo, (se) respeite também. Que a gente possa ter cada vez mais liberdade para construir nossos caminhos da nossa maneira, em sintonia com nossos sentimentos e respeitando também os dos outros.