Tempo não é dinheiro; é mais valioso que isso. O capitalismo nos faz acreditar que precisamos estar sempre produzindo, descartando a importância do lazer

Quando foi que começamos a acreditar que tempo é dinheiro? Essa doutrinação feita pelo capitalismo está tão enraizada na nossa sociedade que estamos tratando a nossa felicidade e bem-estar como mercadorias. Por isso, é tão importante a discussão que está acontecendo em torno da escala de trabalho de 6x1, pois ela chama a atenção para a importância de termos o direito de descansar de fato, de usufruir do nosso tempo com qualidade.

É uma falácia dizer que todos temos as mesmas 24 horas. Questões de gênero, classe, raça, entre outras, influem em muito em como as pessoas podem acessar trabalho e descanso. Tudo fica mais difícil, também, quando glamourizamos a correria. Comemos com pressa para não perder tempo; vamos resolvendo questões de trabalho enquanto estamos nos locomovendo até ele. É como se não pudéssemos fazer uma coisa de cada vez, pois o multitasking é essencial para o sucesso. Não é.

Ao associarmos a nossa existência a uma ideia de produtividade, passamos a fatiar nossa existência em atividades. Não que ter uma rotina seja ruim. Esse não é o ponto. O problema é perceber que estamos esquecendo de pausar, de aproveitar os momentos sem estar na ansiedade de “fazer” algo, de estar conectado à Internet, ao mundo. De fazer tudo instantaneamente.

Parte do nosso processo de crescimento e aprendizado vem dos momentos de silêncio e autocuidado. Quando paramos para nos escutar – e para escutar o outro – podemos elaborar melhor nossos sentimentos, perceber os adoecimentos, celebrar nossas conquistas internas. É um movimento contínuo, que não pode ser massacrado por uma ideia de que só somos se temos ou fazemos. É importante parar, também, encontrar seu ritmo.

Sentir gostos, cheiros, deixar os pensamentos fluírem, as emoções aflorarem (e, às vezes, elas serão difíceis, mas são necessárias). O valor do seu tempo é que ele é seu. É com ele que você pode experienciar a vida e, dela, o que levamos são as experiências e afetos.