Alimentação é política: É urgente garantir segurança alimentar e tratar os transtornos alimentares como questões de saúde pública

O que alimentação e política têm a ver? Tudo! Ainda que, cada vez mais, se tente focar puramente na estética, dissociando a alimentação dos vários campos da nossa vida pessoal e coletiva, ela é fundamental para entendermos a sociedade, suas contradições e, também, propor mudanças na estrutura. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo e a concentração de renda tem reflexos, também, no acesso a serviços básicos e ao direito a uma vida digna, sem insegurança alimentar.

A indústria da dieta busca, justamente, fazer com que vejamos a comida como simples contagem de calorias, visando um tipo específico de corpo. Isso despolitiza nossa vivência pois, comer, é também estar no mundo e envolvido em suas dinâmicas. O capitalismo busca, também, tirar nossa sensibilidade para o sofrimento das pessoas, normalizando a fome e as injustiças e fazendo com que achemos que não podemos “perder tempo” com a empatia ou mesmo com o respeito e o cuidado conosco e com o outro.

Em tempos de processo eleitoral, muitas dessas questões voltam ao centro do debate, o que é importante, mas não podem ficar restritas ao período. Elas são diárias – e devem ser pensadas a longo prazo. Quando falamos que comida é política, estamos falando da importância de garantir que todos tenham direito a se alimentar dignamente, que haja espaço e fortalecimento para a agricultura familiar, quem planta, onde e como o faz; para a diversidade de alimentos, pelo respeito à natureza e também às dinâmicas culturais. Como sempre ressalto, comida também é memória, é afeto, é identidade.

Ao se conectar com a comida, percebe que ela é múltipla e carrega significados diversos. Comida é também conexão - com a gente, com quem amamos, com pessoas ao nosso redor, com a nossa comunidade, nosso território, com a nossa cultura e a de outros lugares. Por isso, sim, alimentação e comida são políticos.